Não dava para ver o fim da estrada, mas em alguns pontos, eram bem visíveis outros caminhos pelo meio da floresta escura, ao lado. Logo a floresta escura? O caminho claro, reto, óbvio e igual da estrada sem fim parecia mais seguro.
— Às vezes, é preciso desviar.
Mais uma vez, o gato, de algum lugar, falando para Alice.
— Maldito gato. O que quer?
— Às vezes, você precisa desviar. Melhor. Às vezes, precisa sair do caminho, antes que atrapalhe o trânsito ou, o que eu prefiro, ser atropelada por ele.
— Ora, não há trânsito aqui!
— Agora não. Talvez mais tarde. Ah! É uma estrada, coisas podem passar por uma estrada, quando desejarem. Carros, carroças, cavalos ou não. Você e eu somos o trânsito agora, se quer saber.
— E?
— E que você está andando sem saber para onde vai, se ainda não percebeu.
— Não será muito diferente em outras estradas por ai.
— Por isso mesmo deveria desviar. Se não sabe pra onde essa estrada vai leva-la, se não sabe pra onde as outras estradas vão leva-la, deveria ficar variando-as quando lhe desse vontade, até encontrar uma estrada mais emocionante ou descobrir pra onde, afinal, você quer ir. Você pelo menos já sabe onde está?
— Em lugar nenhum?
— Começou muito bem, porque no fundo é onde todos estão.
Alice parou diante uma estrada que se perdia pelo meio das árvores. Encarou aquela nova aventura por alguns segundos e a doce praticidade da estrada clara.
— Hum, e você? Para onde vai? Algum objetivo em mente?
— Sim. Sempre tenho objetivos em mente.
— Qual seu objetivo, então?
— Mudar de estradas conforme minha vontade.
— Oras isso não é um objetivo. Mudar de estradas. Que finalidade tem isso?
— Minha finalidade é mudar de estradas. Esta é a minha finalidade.
— Como pode ser sua finalidade a ponte que o levaria a alguma finalidade? Como o meio pode ser o fim? O fim será seu meio? Ou o fim será seu inicio e o seu inicio o fim?
— Meu fim é mudar de estrada. Meu meio é a própria estrada. O início sou eu (o que poderia chamar de fim também)
— Se seu fim é mudar de estrada, você não sabe onde quer chegar.
— Na próxima estrada quando me der vontade, já disse.
— E o que você ganha com isso? — nervosa com as confusões que o gato lhe impunha.
— Minha vontade satisfeita.
— E quando a estrada acabar?
— Procuro outra estrada se eu quiser. Ou fico no lugar, se eu gostar.
— Então você não quer chegar a lugar algum?
— Já estou em algum lugar: aqui. Meu objetivo é muda-lo, vez ou outra. Divirto-me na estrada sem necessariamente esperar muito dela.
— Oh, não consigo ver assim.
— Por isso você é assim. É, você é bem assim, garota!
— Não sou assim, só quero chegar a algum lugar.
— Que lugar?
— Não sei ainda.
— Então! Mude de estradas até descobrir e vá se divertindo por elas. Talvez descubra que deseja mais mudar de estradas do que chegar a algum finalmente. E estou quase certo que você é como eu.
— Isso não me convence.
— As estradas?
— Sim, talvez, as estradas. As estradas sem nenhum objetivo prático para elas me deixam ansiosa. É como perder tempo.
— Perder tempo é o que você está fazendo porque não percebe que já está mudando de estradas toda vez que se sente incomodada, com a diferença de que não está se divertindo muito com isso.
— Não, não estou.
— Problema seu.
— Às vezes, é preciso desviar.
Mais uma vez, o gato, de algum lugar, falando para Alice.
— Maldito gato. O que quer?
— Às vezes, você precisa desviar. Melhor. Às vezes, precisa sair do caminho, antes que atrapalhe o trânsito ou, o que eu prefiro, ser atropelada por ele.
— Ora, não há trânsito aqui!
— Agora não. Talvez mais tarde. Ah! É uma estrada, coisas podem passar por uma estrada, quando desejarem. Carros, carroças, cavalos ou não. Você e eu somos o trânsito agora, se quer saber.
— E?
— E que você está andando sem saber para onde vai, se ainda não percebeu.
— Não será muito diferente em outras estradas por ai.
— Por isso mesmo deveria desviar. Se não sabe pra onde essa estrada vai leva-la, se não sabe pra onde as outras estradas vão leva-la, deveria ficar variando-as quando lhe desse vontade, até encontrar uma estrada mais emocionante ou descobrir pra onde, afinal, você quer ir. Você pelo menos já sabe onde está?
— Em lugar nenhum?
— Começou muito bem, porque no fundo é onde todos estão.
Alice parou diante uma estrada que se perdia pelo meio das árvores. Encarou aquela nova aventura por alguns segundos e a doce praticidade da estrada clara.
— Hum, e você? Para onde vai? Algum objetivo em mente?
— Sim. Sempre tenho objetivos em mente.
— Qual seu objetivo, então?
— Mudar de estradas conforme minha vontade.
— Oras isso não é um objetivo. Mudar de estradas. Que finalidade tem isso?
— Minha finalidade é mudar de estradas. Esta é a minha finalidade.
— Como pode ser sua finalidade a ponte que o levaria a alguma finalidade? Como o meio pode ser o fim? O fim será seu meio? Ou o fim será seu inicio e o seu inicio o fim?
— Meu fim é mudar de estrada. Meu meio é a própria estrada. O início sou eu (o que poderia chamar de fim também)
— Se seu fim é mudar de estrada, você não sabe onde quer chegar.
— Na próxima estrada quando me der vontade, já disse.
— E o que você ganha com isso? — nervosa com as confusões que o gato lhe impunha.
— Minha vontade satisfeita.
— E quando a estrada acabar?
— Procuro outra estrada se eu quiser. Ou fico no lugar, se eu gostar.
— Então você não quer chegar a lugar algum?
— Já estou em algum lugar: aqui. Meu objetivo é muda-lo, vez ou outra. Divirto-me na estrada sem necessariamente esperar muito dela.
— Oh, não consigo ver assim.
— Por isso você é assim. É, você é bem assim, garota!
— Não sou assim, só quero chegar a algum lugar.
— Que lugar?
— Não sei ainda.
— Então! Mude de estradas até descobrir e vá se divertindo por elas. Talvez descubra que deseja mais mudar de estradas do que chegar a algum finalmente. E estou quase certo que você é como eu.
— Isso não me convence.
— As estradas?
— Sim, talvez, as estradas. As estradas sem nenhum objetivo prático para elas me deixam ansiosa. É como perder tempo.
— Perder tempo é o que você está fazendo porque não percebe que já está mudando de estradas toda vez que se sente incomodada, com a diferença de que não está se divertindo muito com isso.
— Não, não estou.
— Problema seu.


